terça-feira, 10 de outubro de 2017

Thelonious Monk chega aos 100

O jazz nunca mais foi o mesmo após o aparecimento do pianista norte-americano Thelonious Monk. No início da década de 1940, Monk mostrou ao mundo uma maneira única de tocar e ajudou Dizzy Gillespie e Charlie Parker a criar o bebop. o resto é história.

Em 2017, o mundo do jazz festeja o centenário do músico, nascido em 10 de outubro de 1917. Ele morreu aos 64 anos, em 17 de fevereiro de 1982.

A excentricidade do toque de Monk, sua inquietação ao se apresentar ao vivo e, é claro, seus inseparáveis chapéus chamativos acabaram criando uma figura, muitas vezes, não compreendida pelos críticos. Mas Monk era Monk. Ela tocava o que sentia e da maneira que queria.

Sua genialidade ficou marcada em hinos do jazz como "Round Midnight", "Epistrophy" e "Blue Monk". Em 2005, uma gravação perdida ao lado do saxofonista John Coltrane, gravada no Carnegie Hall, em 1957, trouxe para as novas gerações todo o espírito inovador de dois gênios do jazz. Ouça abaixo o disco na íntegra.



A discografia de Monk tem momentos marcantes. Além do citado disco com Coltrane, preciosidades como Live At The It Club, de 1964, Monk's Blues, de 1968, ao lado da orquestra comandada por Oliver Nelson, e Brilliant Corners, de 1956, com Sonny Rollins no sax, são gravações fundamentais para se "entender" a obra, a complexidade e a forma única de Monk se expressar.

Em 1988, o filme A Vida e a Música de Thelonious Monk, que em inglês se chama Monk: Straight, No Chaser, mostra cenas inéditas do pianista nos bastidores, no palco e em seu cotidiano. As imagens filmadas por Michael e Christian Blackwood ficaram "hibernando" por anos até que o cineasta Bruce Ricker colocou suas mãos nelas.

Em 2016, o pianista e arranjador John Beasley lançou o projeto MONKestra, que traz a obra de Monk arranjada para uma big bang. Os dois volumes comandados por Beasley foram lançados pela gravadora Mack Avenue. Veja a seguir uma faixa deste CD.



A seguir você encontra, na íntegra, um dos discos mais marcantes do pianista e uma apresentação gravada na Dinamarca e na Noruega, em 1966. Destaque para o saxofonista Charlie Rouse.



terça-feira, 26 de setembro de 2017

Jazz na Espanha deve muito a Cifu

Por quatro décadas o jornalista francês, radicado na Espanha, Juan Claudio Cifuentes dedicou sua vida ao ofício de divulgar e propagar o jazz.

Sua missão foi mais que bem sucedida. Cifu, como era conhecido, se tornou referência sobre o assunto e usou todo o seu conhecimento e didatismo para levar o jazz para as massas.

Cifu comandou os programas de rádio Jazz Porque Sí e A todo jazz por 40 anos, além de Jazz Entre Amigos, programa de TV que foi ao ar na Espanha, entre 1984 e 1991.

Morto em 2015, aos 74 anos, Cifu foi homenageado em 2017 com o livro Juan Claudio Cifuentes, una vida de jazz, una vida con swing, escrito por Antoni Juan Pastor. Na foto abaixo, Cifuentes está ao lado do pianista norte-americano McCoy Tyner.



O legado deixado por Cifu está ao alcance de todos na internet. Você encontra aqui dezenas de edições do programa Jazz Entre Amigos.

A cada programa, Cifu retrata um músico de jazz, conta deliciosas histórias sobre sua trajetória e apresenta shows na íntegra. Entre os músicos retratos estão nomes como Oscar Peterson, Charlie Parker, Ben Webster e Pat Metheny.

Também estão disponíveis dezenas de programa A Todo Jazz. Você pode ouvi-los aqui. Entre as edições estão especiais com Bill Evans, Stan Getz, Dave Brubeck, entre outros. Saiba mais sobre Cifuentes no site oficial do jornalista. Clique aqui

Abaixo você encontra uma edição na íntegra do programa Jazz Entre Amigos

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Squirrel Nut Zippers - Bedlam Ballroom

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim. Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido".

Mas não totalmente perdido. Além do livro Jazz ao Seu Alcance - que traz todo o conteúdo do guia (dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais) - você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Squirrel Nut Zippers - Bedlam Ballroom (2000)

No início da década de 1900, o cenário do jazz foi invadido por uma nova onda, o neo swing. Grupos como Big Bad Voodoo Daddy, Royal Crown Revue, Cherry Poppin’ Daddies e até mesmo Brian Stezer, ex-vocalista do grupo Stray Cats, trouxeram a essência do dixieland e do hot jazz para uma geração de ouvintes que dificilmente se interessariam por esse tipo de jazz, que dominou o cenário musical norte-americano no início do século XX.

Além dos nomes citados, o grupo norte-americano Squirrel Nut Zippers foi outro representante deste movimento. Capitaneado pelos vocalistas Katherine Whalen e Jim Mathus, os Zippers apareceram em 1995, com o disco Hot, que trazia o sucesso “Hell”. Mas o disco em destaque aqui é Bedlam Ballroom, de 2000, o quinto do grupo.

Antes de Bedlam ser lançado, o grupo passou por dois anos conturbados. O trompetista Stacy Guess morreu de overdose de heroína, Tom Maxwell, um dos compositores dos Zippers, saiu em carreira solo e a vocalista Katherine e seu marido Matheus tiveram um bebê.



Com a saída de Maxwell, é possível notar que o casal Katherine e Mathus está mais à vontade musicalmente. Acompanhados de uma pequena big band, com direito a trombone, sax, trompete e banjo, eles abrem o disco com “Bedbugs”, uma levada latina que vai fazer você chacoalhar.

Nas baladas, “Bent Out of Shape” e “Hush”, Whalen, que tem um timbre parecido com Billie Holiday, mostra uma faceta diferente dos Zippers. A mistura dos ritmos flamenco, salsa e funk cria uma atmosfera um pouco diferente dos discos anteriores, o que é muito sadio.

O suingue abre espaço nas faixas “Stop Drop & Roll”, “Just This Side of Blue” e “Baby Wants a Diamond Ring”. Para fechar, as retrôs “Don’t Fix It”, com destaque para o trombone de David Wright, e “Do It This Way”.

Apesar do neo swing não ter sobrevivido ao século XXI, o movimento serviu para resgatar a mais pura essência do jazz, quando pequenos combos andavam pelas ruas de Nova Orleans e três senhores chamados Louis (Prima, Armstrong e Jordan) ajudaram a disseminar um dos mais contagiantes gêneros do jazz, o swing.

Outro disco que vale procurar é It’s Tight Like That, do guitarrista canadense Jeff Healey. Lançado em 2006, o CD mostra uma faceta desconhecida do bluseiro, que por vários anos apresentou um programa de rádio apenas tocando jazz.

No disco, que conta com a participação do veterano trombonista Chris Barber, Healey canta, toca trompete e interpreta clássicos dos anos 20 e 30, entre eles “Keep It to Yourself” e “Basin Street Blues”.





terça-feira, 22 de agosto de 2017

Programa Tiny Desk desnuda a eloquência do jazz

O programa Tiny Desk, da rádio pública dos EUA (NPR), tem uma proposta interessante para receber artistas de diferentes vertentes musicais.

Gravado no escritório da rádio, em Washington, rodeado por livros, discos e estantes, o inusitado cenário deixa a apresentação intimista e o músico muito à vontade.

Com sets de aproximadamente 20 minutos, muitos artistas aproveitam o ambiente aconchegante para interpretar suas músicas com novos arranjos e muitas vezes em formato acústico. O resultado - além de lindo - são registros marcantes e autorais.

Criado e apresentado por Bob Boilen - dono da mesa que aparece no cenário do programa -, em 2008, o Tiny Desk preza, acima de tudo, pelo novo, pelo inusitado e pelo diferente.

Boilen aprecia música e isso o deixa longe de preconceitos ou de modismo. O programa se tornou referência para internautas que procuram novos rumos musicais.



Na seara do jazz, diferentemente de outros tipos de música, o programa não se preocupa em trazer músicos desconhecidos. Parece que o jazz é tratado de uma maneira diferente, com mais cerimônia, com mais cuidado. Mas pouco importa.

O que interessa é que por aqui já passaram nomes como Chick Corea e Gary Burton (foto), Charles Lloyd, Jason Moran, Esperanza Spalding, Terence Blanchard, Gregory Porter e tantos outros.

Na player abaixo, há uma seleção de vários programas exclusivamente com músicos de jazz. É só procurar o que mais gosta e começar a desfrutar. Mais abaixo, há links para fazer o download de alguns desses programas na íntegra. É só clicar no nome do músico. Bom divertimento.



René Marie

Chick Corea & Gary Burton

Charles Lloyd & Jason Moran

Gregory Porter

Jane Bunnett e Maqueque

Ravi Coltrane Quartet

Eddie Palmieri

Donny McCaslin

Sun Ra Arkestra

Vijay Iyer Trio

sábado, 5 de agosto de 2017

Blue Note Rio

Apesar de todo o problema que a cidade do Rio de Janeiro passa, é inegável dizer que ela continua sendo o principal destino turístico do país. Obviamente que tudo seria melhor se o Rio não tivesse sido saqueado por políticos inescrupulosos, por policiais corruptos e pelos traficantes.

O Rio tinha tudo para ser abandonado a própria sorte. Mas o cidadão carioca se recusa a abrir mão do seu bem mais precioso: sua liberdade de poder ir e vir e da sua tão amada Cidade Maravilhosa.

A prova da força do Rio e do seu cidadão pode ser mais uma vez vista com a chegada do clube de jazz Blue Note, que tem inauguração prevista para o fim de agosto.

A tradicional casa de jazz nova-iorquina - inaugurada em 1981 - é conhecida pelos seus shows de jazz de alta qualidade. Além de Nova York, a Blue Note tem filiais na California, Havaí, Milão, Pequim, Tóquio e Nagoya. O Rio será a sua primeira unidade no Hemisfério Sul.

Segundo Luiz Calainho, que comanda a holding L21, o investimento inicial para abrir a filial carioca, que funcionará onde era a Miranda, na Lagoa Rodrigo de Freitas, é de US$ 1,2 milhão.

Com 350 lugares, o Blue Note Rio também contará com almoços semanais, regados a shows de jazz, e brunchs aos domingos; um chef já de renome comandará a gastronomia do local.

Pela programação já divulgada pela casa, o Blue Note Rio tem tudo para se tornar o mais importante palco da música instrumental brasileira e do jazz no país.

Para a inauguração, no dia 31 de agosto, o público terá a oportunidade inédita de assistir ao encontro do pianista Nelson Ayres, com o Trio da Paz e o pianista João Donato, e o encontro entre o saxofonista Carlos Malta e os percussionista Robertinho Silva e Marcos Suzano. O Trio da Paz é formado pelo violonista Romero Lubambo, o baixista Nilson Matta e o baterista Duduka Fonseca.

As atrações internacionais já anunciadas também vão fazer a alegria dos fãs de jazz. Entre eles estão Chick Corea & Steve Gadd, em 20 de outubro, Maceo Parker, nos dias 7 e 8 de setembro, Spyro Gyra, de 2 a 4 de novembro, e Chris Botti, de 5 a 8 de outubro.

Entre o shows brasileiros já agendados, vale registrar os encontros entre a cantora Leny Andrade e o guitarrista Nelson Faria, no dia 2 de setembro. Quem também terá companhia no palco do Blue Note será o bruxo Hermeto Pascoal, que recebe o veterano guitarrista Heraldo do Monte, no dia 28 de setembro.

Outro dueto que deve atrair o público é entre o saxofonista Leo Gandelman e o violonista Dori Caymmi, no dia 2 de setembro. Mas a atração mais aguardada de todas deve ser mesmo a apresentação do pianista Sergio Mendes, nos dias 9 e 10 de setembro. Mendes mora há 40 anos dos Estados Unidos e raramente se apresenta no Brasil.

Outro ponto positivo é que o sistema de dois shows por noite da mesma atração - exatamente como acontece em outras filias do Blue Note ao redor do mundo - foi mantido pelos administradores brasileiros. Assim, o público terá mais ingressos à disposição.

A chegada do Blue Note ao Rio de Janeiro ainda serve para alegrar os órfãos de espaços como o Mistura Fina, Canecão e a Modern Sound, três importantes e tradicionais redutos de shows na cidade que fecharam nos últimos anos. Para ter mais detalhes sobre a casa e sua programação, visite o Facebook oficial aqui.

PROGRAMAÇÃO

30/08 – Quarta-feira
Abertura para convidados com a Brazil Jazz Stars

31/08 – Quinta
20h — Brazil Jazz Stars com Trio da Paz e Nelson Ayres
22h30 — Brazil Jazz Stars com Carlos Malta, Robertinho Silva e Marcos Suzano

01/09 – Sexta
20h — Brazil Jazz Stars com Monica Salmaso e Guinga
22h30 — Brazil Jazz Stars com Azymuth e Marcos Valle

02/09 – Sábado
20h — Brazil Jazz Stars com Dori Caymmi
22h30 — Brazil Jazz Stars com Leny Andrade, Nelson Faria e Ney Conceição

06/09 - Quarta
20h — Jaques Morelenbaum convida Mayra Andrade

07/09 - Quinta
20h — Maceo Parker
22h30 — Maceo Parker

08/09 – Sexta
21h — Maceo Parker
23h30 — Maceo Parker

09/09 – Sábado
21h — Sergio Mendes
23h30 — Sergio Mendes

10/09 – Domingo
20h — Sergio Mendes
22h30 — Sergio Mendes

13/09 - Quarta
20h — Jaques Morelenbaum convida Jan Dumée & Wim Dijkgraaf

16/09 – Sábado
21h — Baby do Brasil
23h30 — Baby do Brasil

17/09 – Domingo
20h — Baby do Brasil
22h30 — Baby do Brasil

20/09 - Quarta
20h — Jaques Morelenbaum convida Diego Schissi

21/09 – Quinta
20h — Banda Black Rio
22h30 — Banda Black Rio

22/09 – Sexta
21h — Banda Black Rio
23h30 — Banda Black Rio

23/09 — Sábado
21h — Orquestra Atlântica
23h30 — Orquestra Atlântica

27/09 - Quarta
20h — Anne Paceo

28/09 - Quinta
20h — Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte
22h30 — Hermeto Pascoal e Heraldo do Monte

29/09 - Sexta
21h — Wagner Tiso e Tunai
23h30 — Wagner Tiso e Tunai

30/09 - Sábado
21h — Orquestra Atlântica
23h30 — Orquestra Atlântica

04/10 - Quarta
20h — Ala.Ni

05/10 – Quinta
20h — Chris Botti 22h30 — Chris Botti

6/10 – Sexta
21h — Chris Botti
23h30 — Chris Botti

07/10 – Sábado
21h — Chris Botti
23h30 — Chris Botti

08/10 – Domingo
20h — Chris Botti

22h30 — Chris Botti

11/10 - Quarta
20h — Teresa Salgueiro
22h30 — Teresa Salgueiro

12/10 – Quinta
20h —Teresa Salgueiro
22h30 — Teresa Salgueiro

20/10 – Sexta
21h — Chick Corea & Steve Gadd Band
23h30 — Chick Corea & Steve Gadd Band

01/11 - Quarta
20h — Banda Mantiqueira
22h30 — Banda Mantiqueira

02/11 - Quinta
20h — Spyro Gyra
22m30 — Spyro Gyra

03/11 - Sexta-feira
21h — Spyro Gyra
23h30 — Spyro Gyra

04/11 - Sábado
21h — Spyro Gyra
23h30 — Spyro Gyra

15/11 - Quarta
20h — Laura Perrudin

16/11 - Quinta
20h — Didier Lockwood Trio
22h30 — Didier Lockwood Trio

17/11 – Sexta-feira
21h — Antonio Carlos e Jocafi com Ithamara Koorax
23h30 — Brazil Jazz Stars

18/11 - Sábado
21h — Antonio Carlos e Jocafi com Ithamara Koorax
23h30 — Brazil Jazz Stars

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Jazz na Fábrica - 2017

O festival Jazz na Fábrica chega a sua 7° edição, entre os dias 10 e 27 de agosto, no SESC Pompeia (SP), mantendo a proposta de misturar jazz de várias vertentes e de vários países. Ao todo, serão 17 diferentes atrações de oito países.

Os destaques desta edição são o trompetista norte-americano Roy Hargrove, acompanhado pela cantora italiana Roberta Gambarini, o "bruxo" Hermeto Pascoal, o cantor e baixista norte-americano Thundercat (foto), e o veterano pianista sul-africano Abdullah Ibrahim.

Hargrove deveria ter participado da edição de 2015 do festival, mas por motivo de saúde, sua apresentação foi cancelada.

Os shows acontecem durante todo o mês de agosto, entre quinta e domingo. O espectador terá duas oportunidades para ver o seu artista preferidos. Todos os músicos tocarão em dois dias diferentes.

VEJA ABAIXO AS DATAS:

10/08
Eddie Allen (EUA)

11/08
Nenê Trio (Brasil) + Itamar Borochov (Israel)
Eddie Allen (EUA)

12/08
Hermeto Pascoal e Grupo (Brasil)
Eddie Allen (EUA)

13/08
Jazzmin's (Brasil)
Hermeto Pascoal e Grupo (Brasil)

17/08
Globe Unity Orchestra (Alemanha)
Thundercat (EUA)

18/08
Globe Unity Orchestra (Alemanha)
Thundercat (EUA)

19/08
Abdullah Ibrahim (África do Sul)
Jimmy Dludlu (Moçambique)

20/08
Emiliano Sampaio e Soundscape Big Band (Brasil)
Abdullah Ibrahim (África do Sul)

24/08
Amaro Freitas (Brasil) + Hadar Noiberg (Israel)
Roy Hargrove (EUA) part. Roberta Gambarini (Itália)

25/08
Chicuelo-Mezquida (Espanha)
Roy Hargrove (EUA) part. Roberta Gambarini (Itália)

26/08
Annette Peacock (EUA)
Debo Band (EUA)

27/08
Pat Thomas (Gana)
Annette Peacock (EUA)
Debo Band (EUA)





quinta-feira, 20 de julho de 2017

Prêmio da Música Brasileira - Os vencedores

No dia 19 de julho, no Theatro Municipal do Rio, aconteceu a 28° edição do Prêmio da Música Brasileira.

O homenageado da noite foi o cantor Ney Matogrosso. O cantor completa no dia 1 de agosto 76 anos de idade, sendo que mais de 40 anos dedicados à musica.

Veja abaixo todos os indicados e os vencedores (as mãos indicam os vencedores) nas 35 categorias da premiação.

O saxofonista baiano Letieres Leite (foto), que comanda a Orkestra Rumpilezz, ganhou três prêmios na categoria instrumental, entre eles o de melhor disco com o álbum A Saga da Travessia


MPB

Álbum:
"Abraçar e agradecer" (Maria Bethânia)
"Batom bacaba" (Patricia Bastos)

"The bridge" (Lenine e Martin Fondse Orchestra)

Cantor:
João Fenix ("De volta ao começo")
Vidal Assis ("Álbum de retratos")

"Lenine ("The bridge")

Cantora:
Patricia Bastos ("Batom bacaba")
Zizi Possi ("O mar me leva")

Maria Bethânia ("Abraçar e agradecer")

Grupo:
Quarteto em Cy ("Janelas abertas")
Tão do Trio ("Flor de dor: Tão do Trio canta Etel Frota)

MPB4 ("O sonho, a vida, a roda viva!")

MELHOR CANÇÃO:
"Dizputa" (Carol Naine)
"Nunca mais vou jurar" (Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz e Marcelinho Moreira)
"Descaração familiar" (Tom Zé)


REVELAÇÃO:
Liniker e Os Caramelows ("Remonta")
Vidal Assis ("Álbum de retratos")

BaianaSystem ("Duas cidades")

CANÇÃO POPULAR

Álbum:
"Cine ruptura" (Saulo Duarte e a Unidade)
"Gatos e ratos" (Odair José)

"Elza canta e chora Lupi" (Elza Soares)

Dupla:
Leonardo e Eduardo Costa ("Cabaré night club")
Milionário e Marciano ("Lendas")

Zezé di Camargo e Luciano ("Dois tempos")

Grupo:
Roupa Nova ("Todo amor do mundo")
Samuca e a Selva ("Madurar")

Saulo Duarte e a Unidade ("Cine ruptura")

Cantora:
Ellen Oléria ("Afrofuturista")
Elza Soares ("Elza canta e chora Lupi")

Ivete Sangalo ("Acústico em Trancoso")

Cantor:
Luiz Caldas (Pré-axé")
Romero Ferro ("Arsênico")

Odair José ("Gatos e ratos")

POP/ ROCK/ REGGAE/ HIP-HOP/ FUNK

Álbum:
"Palavras e sonhos" (Luiz Tatit)
"Tropix" (Céu)

"Canções eróticas de ninar" (Tom Zé)

Grupo:
Metá Metá ("MM3")
O Terno ("Melhor do que parece")

BaianaSystem ("Duas cidades")

Cantora:
Céu ("Tropix")
Larissa Luz ("Território conquistado")

Maria Gadú ("Guelã ao vivo")

Cantor:
Silva ("Silva canta Marisa")
Zeca Baleiro ("Era domingo")

Rael ("Coisas do meu imaginário")

SAMBA

Álbum:
"De bem com a vida" (Martinho da Vila)
"O quintal do Pagodinho: Ao vivo - Vol. 3" (Zeca Pagodinho)

"Samba original" (Pedro Miranda)

Cantora:
Mart'nália ("Misturado")
Teresa Cristina ("Teresa Cristina canta Cartola")

Roberta Sá ("Delírio no Circo")

Cantor:
Martinho da Vila ("De bem com a vida")
Pedro Miranda ("Samba original")

Zeca Pagodinho ("O quintal do Pagodinho: Ao vivo - Vol. 3")

Grupo:
Galocantô ("Pano verde")
Grupo Bongar ("Samba de gira")

Casuarina ("7")

REGIONAL

Álbum:
"Celebração" (Valdir Santos)
"Vivo! Revivo!" (Alceu Valença)

"Cabaça d'água" (Alberto Salgado)

Grupo:
Serelepe ("Forró por aí...")
Viola Quebrada ("Meus retalhos")

Grupo Rodeio ("Trilhando o Rio Grande")

Dupla:
Caju e Castanha ("O papo no WhatsApp")
Craveiro e Cravinho ("Canta Tonico e Tinoco")

Zé Mulato e Cassiano ("Bem-humorados")

Cantor:
Alberto Salgado ("Cabaça d'água")
Raymundo Sodré ("Os girassóis de Van Gogh")

Alceu Valença ("Vivo! Revivo!")

Cantora:
Dona Onete ("Banzeiro")
Socorro Lira ("Cores do Atlântico")

Ana Paula da Silva ("Raiz forte")

INSTRUMENTAL

Álbum:
"Alegria" (Hamilton de Holanda)
"Outra coisa" (Anat Cohen e Marcello Gonçalves)

"A saga da travessia" (Letiers Leite e Orkestra Rumpilezz")

Solista:
Hamilton de Holanda
Mestrinho

Toninho Ferragutti

Grupo:
Banda Mantiqueira ("Com alma")
Trio Madeira Brasil ("Ao vivo em Copacabana")

Letiers Leite e Orkestra Rumpilezz ("A saga da travessia")

Arranjador:
Luis Felipe de Lima (por "Samba original, de Pedro Miranda)
Zé Manoel (por "Delírio de um romance a céu aberto", de Zé Manoel)

Letieres Leite (por "A saga da travessia, de Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz")

Projeto visual:
Filipe Cartaxo (por "Duas cidades", de BaianaSystem)
Mário Niveo (por "Jardim pomar", de Nando Reis)

Giovanni Bianco (por "Amor geral", de Fernanda Abreu)

CATEGORIAS ESPECIAIS

Álbum eletrônico:
"Incerteza" (Retalho)
"Subtropical temperado" (Projeto CCOMA)

"Craca, Dani Nega e o dispositivo tralha" (Craca e Dani Nega)

Álbum infantil:
"Farra dos Brinquedos" (Farra dos Brinquedos)
"Vem dançar" (Pequeno Cidadão)

"Os saltimbancos sinfônico" (Orquestra Petrobras Sinfônica)

Álbum em língua estrangeira:
"Old friends (the songs of Paul Simon)" (Ritchie e Black Tie)
"Perpetual gateways" (Ed Motta)

"Yentl em concerto" (Alessandra Maestrini)

Álbum erudito:
"Latinidade, música para as Américas" (Orquestra Ouro Preto)
"Radamés toca Radamés" (Quarteto Radamés Gnatalli)

"Ernesto Nazareth integral" (Maria Teresa Madeira)

Álbum projeto especial:
"A luneta do tempo" (Alceu Valença)
"Irineu de Ameida e o oficleide 100 anos depois" (vários artistas)

"Delírio de um romance a céu aberto" (Zé Manoel)

Melhor DVD:
"A democracia da madeira" (vários artistas)
"Dobrando a Carioca" (Zé Renato, Moacyr Luz, Jards Macalé e Guinga)

"Rainha dos raios ao vivo" (Alice Caymmi)

Escute na íntegra o disco A Saga da Travessia, de Letieres Leite & Orkestra Rumpilezz, vencedor de melhor grupo e disco instrumental.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Saudades de Paulo Moura

Ganhador do Grammy pelo disco Pixinguinha: Paulo Moura e os Batutas, o musico Paulo Moura tem mais de 40 discos lançados desde 1956. Paulista de São José do Rio Preto, onde nasceu em 15 de julho de 1932, tocava clarinete desde os 9 anos, mas era também trompetista, saxofonista, compositor e arranjador.

O músico, considerado um dos maiores instrumentistas da música brasileira, tocou com grandes nomes como Ary Barroso, Tom Jobim, Maysa, Elis Regina, Milton Nascimento e Raphael Rabello.

É difícil citar todos um disco melhor do saxofonista, mas é impossível não lembrar de trabalhos antológicos, como os álbuns gravados com a pianista Clara Sverner (foto abaixo); Paulo Moura Interpreta Radamés Gnattali, de 1959; Confusão Urbana, Suburbana e Rural, de 1976; Mistura e Manda, de 1984; Dois Irmãos, de 1992, com Raphael Rabello; Wagner Tiso e Paulo Moura, de 1996; K-Ximblues, de 2001, em homenagem à obra do genial e pouco lembrado saxofonista e compositor K-Ximbinho; Dois Panos Pra Manga, de 2006, com João Donato; e El Negro del Branco, de 2004, com Yamandu Costa.



Em 2001, é lançado o livro Paulo Moura, um Solo Brasileiro (Editora Casa da Palavra), que traz uma entrevista inédita, fruto de uma série de conversas com sua esposa, a escritora e psicanalista Halina Grynberg, que compilou as entrevistas e as transformou nesta obra, que inaugura a primeira ação do Instituto Paulo Moura, em prol da música instrumental brasileira. O livro acompanha o CD Fruto Maduro, produzido pelo músico André Sachs, Clique aqui para saber mais sobre o instituto.

Em 2013, o diretor Eduardo Escorel lança o documentário Paulo Moura - Alma Brasileira, que mostra a trajetória musical e biográfica do músico. O compositor e instrumentista está associado à história do choro brasileiro. Para captar a essência da sua obra, o documentário economiza nos depoimentos e lança mão da música e do sentimento - presente, especialmente, na voz da viúva Halina Grynberg.

Trechos “rejeitados” de entrevistas e momentos silenciosos gravados em turnês internacionais ajudam a trazer à tona o lado menos conhecido do artista e formar um retrato mais completo do artista. A produção reúne mais de 40 anos de registros filmados e escritos.

O longa apresenta 25 canções do repertório do músico, enquanto o próprio Paulo Moura dá mais detalhes sobre sua história pessoal e no cenário musical brasileiro. O trailer do documentário pode ser visto aqui.

Paulo Moura morreu aos 77 anos, no dia 12 julho de 2010, três dias antes de completar 78 anos. Você pode encontrar mais informações sobre o músico, como partituras, fotos e outras curiosidades clicando aqui.













segunda-feira, 10 de julho de 2017

Alberta Hunter - Amtrak Blues

Por 14 anos o Guia de Jazz esteve no ar com a missão de aproximar os internautas ao jazz. Um dos tópicos mais visitados era o de dicas de CDs, no qual dezenas de discos eram indicados e resenhados por mim. Infelizmente, com o fim do site em setembro de 2015, todo esse acervo foi "perdido".

Mas não totalmente perdido. Além do livro Jazz ao Seu Alcance - que traz todo o conteúdo do guia (dicas de CDs, DVDs, livros, entrevistas e muito mais) - você encontrará quinzenalmente neste blog algumas dicas de CDs publicadas anteriormente no site Guia de Jazz.

Sempre que possível, ao final de cada resenha você encontrará vídeos do Youtube com algumas faixas do disco indicado para escutar. Boa leitura e audição. Veja outras dicas de CDs aqui

Alberta Hunter - Amtrak Blues (1978)

Há cerca de cinco anos escrevi uma resenha sobre o saxofonista Flip Phillips, que morreu aos 85 anos. Na ocasião, falei sobre as pessoas que tinham a “sorte” de viver além dos 80 anos e a oportunidade “única” que este pequeno grupo de privilegiados tem de aproveitar esta longevidade. Este mesmo raciocínio se aplica a cantora norte-americana Alberta Hunter, que morreu em outubro de 1984, aos 89 anos.

A cantora de blues foi revelada no início da década de 20, quando deixou sua cidade natal, Chicago, e foi para Nova York. Além de cantar, Alberta começou a atuar em musicais locais. Na década de 30, mudou-se para a Europa e estrelou o musical Show Boat. De volta aos Estados Unidos, a cantora continuou gravando até o início dos anos 50, quando abriu mão de sua carreira para se tornar enfermeira e cuidar de sua mãe doente.

Por quase 30 anos, Alberta Hunter ficou afastada da música, mas uma aposentadoria forçada da função de enfermeira trouxe a cantora de volta ao seu lugar de direito. No fim dos anos 70, retoma sua carreira e lança um de seus discos mais importantes, Amtrak Blues, em 1978, aos 83 anos. Ao seu lado, além do quarteto do pianista Gerald Cook, o disco tem a presença de convidados ilustres como o trombonista Vic Dickenson, o trompetista Doc Cheatham e o saxofonista Frank Wess.



O disco abre com “The Darktown Strutters’ Ball”, que começa calminha e depois vira um mistura deliciosa entre jazz e blues. Destaque para o solo de Cheatham e, é claro, todo o suingue de Alberta. Outra música que vai eletrizar o ouvinte é a clássica “Sweet Georgia Brown”, com direito a solo do mestre Wess.

O blues aparece com mais força nas faixas “I’m Having A Good Time” e “Amtrak Blues”. As baladas também estão presentes por aqui. Entre elas, “Old Fashioned Love” e “Nobody Knows You When You’re Down & Out”. O CD ainda traz a versão inusitada de “My Handy Man Ain’t Handy No More” e “A Good Man Is Hard To Find”, com destaque para o trombone de Dickenson.

Antes de terminar de falar de Alberta Hunter, é importante dizer que ela é compositora da música “Downhearted Blues”, um dos maiores sucessos da carreira da cantora Bessie Smith, outra peça importante da história do blues e do nascimento do jazz.